Titica, de pequetita e de titica de galinha
esse negócio de dizer da gente, mulher, no diminutivo é uma baita do afronta
a gente nasce princesinha e vai virando uma gracinha
e de gracinha em gracinha
é que nos fazem coitadinhas.
Eu, de mim, quero é ser ão.
Pezinhos, boquinha, mãozinha, manequinzinho, tudo miudinho e garboso
esmagando nossos cerebrozinhos
para que nossos olhinhos não vejam
e nossas mãos não toquem
a verdade que emana.
Eu, por nós, quero ser ã.
Cabe em um abraço, precisa de um, incompletas e frágeis bonequinhas
de tanto e tanto ouvir essas historinhas
a gente vai se convencendo
até que se fica tão pequena
mas tão, tão miudinha
que qualquer peteleco e chute
esmaga nossa ternurinha.
Nós, por toda gente, precisamos ser.
sexta-feira, 8 de março de 2013
domingo, 24 de fevereiro de 2013
eu gosto de você bêbado
eu gosto de você bêbado, gosto de você desbocado, gosto de você tarado, gosto de você sem tantas travas que o mundo te colocou.
Gosto de você livre. Gosto de você múltiplo. Gosto de você molhado.
(gosto de você perto) (gosto de você dentro) (gosto de você gozo)
Autobiográficas
Lembro-me de ser criança e de sentir-me muito semelhante ao que sinto hoje em diversos aspectos, como quando a minha irmã brincava de mágica. Ela pedia que eu fechasse os olhos para fazer alguma coisa sumir. Fosse um brinquedo, um doce, ou a lua, minha irmã tinha o poder de fazer qualquer coisa sumir, mas para a mágica dar certo eu tinha que fechar os olhos sempre.
Nunca desconfiei o que para qualquer um seria óbvio, que ela escondia as coisas quando eu fechava os olhos. Porque eu nunca vi motivos para desconfiar das pessoas.
É claro que hoje, tantos e tantos anos depois, a minha irmã não brinca mais comigo de mágica. Mas vez por outra ela aproveita da minha completa incapacidade de perceber mentiras e conta alguma coisa mirabolante, completamente fora do que qualquer um acredita, por brincadeira. É claro que com os anos eu aprendi que ela não está dizendo a verdade, mas apenas pelo padrão, tanto que sempre acredito nos primeiros segundos.
Não culpo a minha irmã, deve ser mesmo divertido conseguir enganar alguém sempre da mesma forma. Mas eis que chega um momento na vida que tudo isso cansa. Cansa ser enganada, cansa ter a sua boa vontade usurpada. Ainda que haja o cansaço, nada muda.
(12/11/12)
sábado, 23 de fevereiro de 2013
Quem precisa de zumbis?
Soube a pouco que minha vizinha diariamente dobra meu capacho para que não encoste no dela. Não que meu capacho tenha feito algo de errado, não que ele não seja um bom capacho, é apenas que minha vizinha é louca.
E quando eu digo que minha vizinha é louca, é sem medo de que isso pareça algo ruim, nem que eu esteja aqui gastando meu tempo para falar mal da minha vizinha. É para começar um assunto sério sobre a nossa sociedade.
Mês passado minha vizinha roubou nossa cesta básica, recebendo-a em sua casa e assinando com um nome falso. O entregador não suspeitou de nada, porque até bem pouco tempo atrás ela sempre recebia nossa cesta básica e tantas outras coisas. Até que começamos a fazer parte da conspiração paranoica da vizinha. De alguma forma ela acredita que tem pessoas no prédio unidas para acabar com a moral dela (como se a moral fosse algo externo, algo que o outro nos coloca).
Mas, como eu disse, nada disso é sobre a minha vizinha, nem sobre o coitado do meu capacho nem sobre a falta que a cesta básica nos fez (ou não fez, no caso). É sobre cada um de nós.
Com cerca de 50 e vários anos, A. (codinome vizinha) é uma mulher que vive sozinha nesse bairro descolado e boêmio de São Paulo. Ela é professora, acho que de português, na rede pública, motivo pelo qual conseguiu um financiamento fantástico para conseguir comprar um apartamento (bons tempos aqueles de outrora que havia ao menos alguma vantagem financeira em ser professor da rede). Certamente que a compra do apartamento trouxe a ela um certo status social, ainda que hoje o bairro esteja para além de supervalorizado, ele sempre foi um dos queridinhos da intelectualidade paulistana. O resto da história é fictícia, ou pelo menos em partes. A. teve um, alguns, vários homens em sua vida, sem ter entrado num relacionamento sério com nenhum deles. Se hoje nos parece relativamente aceitável que uma mulher viva sozinha, more bem e seja financeiramente independente, a verdade é que na geração dela isso nunca foi visto com bons olhos. Por isso a maioria dos homens, encantados também pela sua beleza e seu corpo digno de atriz da globo da sua geração, aproveitavam de sua companhia (e ela das dele, claro) por um dia, uma noite, uma semana, cinco ciclos lunares, não sei, e fim de papo.
Um espectro rondava sua vida: professora não era profissão de esperar marido? Como ousara ela ser uma professora independente?
E assim os anos se seguiram, deixando para trás muito de sua vitalidade. Este espectro nunca andara sozinho, para garantir que a solidão não fosse completa ela se manteve fiel a dietas, a sessões de jejum, academia, corridas, novos tratamentos de beleza a cada ano e muito, muito pouco sono.
As cobranças da família sobre a suas escolhas de vida se tornaram tão frequentes que, com o passar do ano, se afastara de todos.
Como as mazelas da vida de docente se encerram mais cedo, a aposentadoria chegou logo, com ela um pouco de descanso, um pouco de tempo para si, para diversão, para viver a vida que julgara não ter vivido até então.
Mas o silêncio ecoava tão alto pela casa que com ele surgiram as vozes. As vozes que ouvira pela frente, pelas costas, pelos lados, durante toda a sua vida. Se antes eram as pessoas que a julgavam, hoje as paredes também empunhavam martelos e tinham olhos que de soslaio faziam-na se sentir cada vez mais errada.
Ora, se a parede da casa e a cafeteira teciam comentários sobre a sua vida e viviam para julgá-la, quem dirá os vizinhos? É claro que eles estavam todos a julgá-la cotidianamente e condená-la por suas escolhas de vida, pela sua postura, pelas suas roupas, pelo seu corpo, pela sua incapacidade administrativa quando fora síndica, pela sua velhice (que não podia mais ser escondida), pela hora que ela acordava, por quando ia dormir, pelo quanto e com quem falava no telefone. Vizinhos! Eles escolheram viver nesse prédio somente para poder tecer esses comentários sobre a sua vida.
Nem oi, nem bom dia. Não há motivo de confraternização com o inimigo. A não ser em reuniões de condomínio, mas reunião de condomínio não se trata de confraternização: é uma zona de batalha. Lá sobravam gritos e farpas, para qualquer um, para todos, ousando ou não lhe dirigir a palavra. Afinal de contas, mesmo que estivessem em silêncio, ela sabia que o tempo todo eles estavam falando dela.
Para evitar qualquer risco de contaminação pelas palavras cruéis, então, era melhor evitar que seu capacho entrasse em contato com o meu...
*ilustra este post o trabalho de Guilherme Pinkalsky (http://www.behance.net/gpinkalsky), meu amigo e grande artista.
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
O labirinto do sátiro
O horizonte era de uma beleza estonteante. Longe de tudo e de todos ele vivia. Poderia se chamar de fazenda ou de outra dimensão ou de coisa nenhuma, mas não há uma pessoa sequer que não quereria estar naquele belo lugar. Parece que o Sol respeitava a beleza daquelas terras e não ousava incindir claro demais. Assim como, durante a noite, as estrelas brilhavam como fogos de artifício, como se todas elas estivessem ainda vivas, e não fossem uma ilusão.
Na verdade, ao chegar lá, ela se sentiu em casa como não se sentia há tanto tempo que pensou em ficar. Mesmo sem saber se poderia, mesmo sem saber se deveria, ela realmente quis ficar. Não que tenha sido bem recebida por ele, nem mal recebida: seu olhar era vazio, distante, não notava a sua presença. Era um olhar quase sem emoção. Diferente da guardiã da casa que pousava seus olhos tristes sobre ela num misto de esperança e compaixão. Tinha medo, medo de que ela, ao ver cair o pôr do sol fugisse e estaria a guardiã sozinha com ele.
Não que ela não o amasse. Ela o amava com o mais sublime que só as mães castas, com um certo grau de neurose e desprendimento da vida poderiam amar. Mas era tudo tão solitário e as horas que ela passava conversando com ele eram horas que se arrastavam, sempre beirando o fim do dia, quando tudo iria acontecer novamente e ela choraria em silêncio aguardando um novo amanhecer passar e com ele toda a dor, toda a dor de todos os dias.
Elas só puderam conversar quando ele finalmente pegou no sono. Uma conversa de poucas palavras, uma conversa de almas, trocando pus entre as feridas. Nada do que foi dito pode ser lembrado, porque logo a noite veio e nada do que pudesse ter sido dito a prepararia para aquela noite.
Era quase secreto seu desejo por ele, ainda que já tivesse gritado aos quatro ventos, era velado, era negado, era forte e avassalador e atravessava aqueles olhos vazios, perdidos e animalescos. Aqueles olhos sem emoção, aquela pele de viço quase pegajoso, quase seca demais. Sempre esteve claro que algo não era humano.
Deitou-se ao seu lado no chão, sem ousar de fato tocá-lo. Tocava-o levemente, mais com sua mente do que com seu corpo. Ele estava notavelmente incomodado com a sua presença, mesmo dormindo. Ela se incomodava em incomodar, mas não estar ali seria de um incomodo muito maior. Fechava os olhos e vislumbrava o horizonte infinito, a vista que teria a poucos metros, do lado de fora da casa. Com esta vista lhe vinha toda a angústia e a solidão de quem esteve preso a este lugar ao longo de uma vida. E uma vida que não se contava em anos, mas em dias e noites e ciclos.
Quando abriu os olhos ela se viu tão profundamente refletida em sua alma que se perdeu e não saberia mais o significado do tempo, não fosse o fato que a noite estava chegando e ele levantou de sobressalto. A guardiã da casa chamava por ela, tentando levá-la a um cômodo cada vez mais distante, passando por portas e mais portas que eram fechadas atrás dela, travadas em fechadoras exóticas de chumbo. Todas elas eram iguais, portas pesadas, com um visor transparente, como uma pequena janelinha. O ângulo das portas fazia com que fosse possível ver, de um lado da casa o que acontecia no outro. Ao mesmo tempo, os cômodos eram dispostos de tal maneira que você jamais poderia conseguir voltar de onde veio e era difícil de saber onde começava e onde terminava a casa. Mas ela sabia, ele estava na cozinha.
Tomada pela ansiedade e pelo desejo ela se desvencilhou da guardiã, de forma decidida e delicada. Foi mais fácil do que poderia-se imaginar, porque a essa altura a guardiã derramava lágrimas, que eram lágrimas que procuravam cumplicidade e procuravam abrir a ela seu mundo.
Correndo em círculos, como numa espiral fundante, chegou até uma longa janela de algum cômodo sem função, onde era possível ver a cozinha toda, de forma muito clara. Principalmente porque parecia emanar das paredes uma luz sem cor, nem fraca nem forte, mas que iluminava perfeitamente bem, dando espaço para a expressão legítima de cada uma das cores e texturas do sofrimento dele. Enquanto de seus olhos caiam secas lágrimas quentes demais para escorrerem, rasgava sua camisa azul, não em desespero, nem em raiva, mas como um ritual. Paralisada, observando, logo ela pode perceber porque rasgava as roupas quando começou, com o mesmo desapego, mas muito mais dor, a rasgar sua fronte. Do vão entre uma parte e outra da pele não saiu sangue, mas seus ossos começaram uma estranha transformação, tornando-se chifres, pequenos, redondos. Absolutamente doloridos, era claro. E todo seu corpo se moldou para aceitar aquela mudança e passou a existir para além daquele lugar no espaço, era hora uma coisa, hora outra, com o canto dos olhos ela podia ouvir um cavalo dentro daquele corpo, assim como podia sentir o aroma de um céu almiscarado quase ensurdecedor.
Como ele não estava onde parecia estar ele passava pelas portas destravando cada um dos mecanismos de chumbo como se nunca houvessem sido fechados. Da mesma forma, parecia querer ficar exatamente no lugar que estava. E parte dele ficou, como parte dele foi. Ou talvez as sequência de acontecimentos tenha sido complicada demais, sobre-humana demais para que ela compreendesse ou sequer para que conseguisse contar.
Ela se deitou com ele, que de certa forma encolhia-se, buscando negar sua aparência e ser o seu ser. Ao mesmo tempo que estava em posição fetal, portava-se como um garanhão viril. E corria em direção à pequena floresta que ficava na parte ocidental da propriedade. E ele estava nu e ela a desejava e teria feito de seu corpo e do corpo dele um grande corpo em movimento, não fosse a guardiã sussurrar, em desalentada, o risco de se deitar com ele. Não eram sussurros de palavra e ela se contorceu fugindo, com uma túnica imaculada, buscando-o por inteiro. Para o oeste.
O grande salão do nascer do Sol a aguardava. E era imenso como o tempo, feito de mosaicos de todas as cores do Sol ao longo do dia. E era tarde demais porque o Sol nascia e ele não estava lá. E as mulheres choravam e temiam o pior. Ter se perdido era ainda o menor dos perigos quando repousava em fúria o potencial da destruição dos sentidos de todos os caminhos que colocasse seus pés.
Mas ele viria e nada poderia prepará-la para a volta. Não conseguia compreender aquele ovo-casúlo que mudava de forma a cada piscada, do mais orgânico ao mais inorgânico. Era ovo e era caixa, era caixa e era caixa e era caixa. Era claro, ele repousava, ali, preso. Quase sufocando enquanto tentava com as próprias unhas romper a membrana que o separava da mais externa de suas cascas. Ela correu, mas não podia sair do lugar. Segurava um martelo e queria livrá-lo do sofrimento. Portava uma faca em seu ventre afiada como o vento invernal. Mas era dele o sofrimento e ela jamais se moveria para além de sua mente.
Quando a casca se rompeu, em meio ao sangue, vísceras de criação e água, raiava o primeiro dos raios de Sol do dia. E ele estava novamente deitado, escondendo-se da luz como quem veio ao mundo neste instante. Vestia-se de azul. Um azul fulminante. Voltava à vida de óculos e parecia demasiadamente humano. E ela desejava seu corpo e não queria partir. Mas já não estava mais lá e sim no horizonte, infinito, em outra de suas inifinicidades.
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
Ensaio sobre o silêncio e outras melodias (a água)
Parece um peixe essa menina, nunca sai da água - dizia minha mãe, ao apontar para mim no mar distante, desafiando seu céu e seu sal. A pequena Bruna era vestida com um maiô verde metálico com estrelas rosas. Jamais me esqueceria daquele maiô, ainda que traga poucas lembranças da infância.
O que ficaria, permanentemente: meu amor pela água.
Água de imersão, água de borbulhas. Água de beber, aquela água de beber da noite mais fria do dia mais frio do ano. A água perfeita. Água de nadar.
E aquela, aquela água: a água de pintar.
Malgrado minha péssima experiência universitária com aquarela, esta água de pintar existia em mim como expressão de todas as águas, desde a primeira infância, quando pintava com água, água com tinta, água com farinha, água sobre papel. Era tudo muito denso, em sua extrema fluidez.
Como as minhas aquarelas. Tivesse eu ousado ouvir o pretenso mestre, teria perdido em mim toda a legítima expressão milenar aquosa. Ninguém que tenha intimidade com a água pode questionar: nada é mais denso que a água.
Claro que a água é mancha. Mas a água também é linha como aqueles pequenos desvios dos rios que correm, escondidos em meio à nossa vegetação verde-escuríssima. Linhas de água que correm. E água também é fio. É fio que nos conduz e reconduz a nós, é o fio da vida, é fio do infinito. Água é o que nos reconduz ao todo: água.
E água, pois ouso (íntima que sou), dizer: água também é densidade e é volume. Água tem o peso da expressão mais íntimas e sensível. Por isso água pesa mais que o óleo (não se deixe enganar com seus livros de ciências). Porque a água, a água é mais verdadeira.
Veja na água a verdade, já que a água não te permite erros, a água ensina a ver (e nossos olhos, são eles pura água!) que não há, então, erros. Há verdade em cada pincelada como há verdade em cada passo que se possa dar na vida. Cada caminho flui para o mar, onde as ondas percorrem nossos corpos, onde as ondas quebram em nosso peito. Onde as ondas são a dureza da água, é sim, água é também dura, duríssima. Não fosse, como estaríamos em pé?
sábado, 22 de setembro de 2012
Feira (I)
Um passo te desloca para frente, mas não só. Para cima a para baixo. Os olhos buscam compensar esta movimentação. Para frente. Para cima, para baixo.
Respiro
Roxos, verdes, brancos, vermelhos de todos os matizes, amarelos brilhantes, amarelos foscos, novos verdes, verdes folha-verdes fruto, marrons e preto-semente. Lisura, grumos, molhado, gomos e gominhos, ásperos, suaves, cremosos, encarnados.
Vejo
Doce-simples, como doce-açúcar. Doce-azedo. Azedo-azedo. Amargo. Cítrico. Doce-banana. Especiais-especiarias. Azedo-queijo. Azedo-suor. Azedo cor.
Toco
Cabeças e corpos e cabeças e cabeças e corpos e corpos e corpos cabeça. Para frente, para cima, para baixo. para cima, para baixo. Ligam-se em profusão de luzes. Cabeças e mentes e almas e luzes. Ligam-se. Anestesiados, não notam.
Flutuo
Olhos parados, sem compensar. Sobem e descem e sobem e descem e sobem e descem e sobem e descem e sobem e descem. Soslaiam. Há o azul. No ângulo fechado. Há-o-a-zul. Vislumbram respirar e congelam.
Caminho
Despeço-me do momento. Além de mim, só as flautas são azuis. Azuis-bebê. E estão cobertas de pó-luição da cidade sem luz.
Há espada. Hei de luzir-luminar. Há o limiar.
Azul.
Respiro
Roxos, verdes, brancos, vermelhos de todos os matizes, amarelos brilhantes, amarelos foscos, novos verdes, verdes folha-verdes fruto, marrons e preto-semente. Lisura, grumos, molhado, gomos e gominhos, ásperos, suaves, cremosos, encarnados.
Vejo
Doce-simples, como doce-açúcar. Doce-azedo. Azedo-azedo. Amargo. Cítrico. Doce-banana. Especiais-especiarias. Azedo-queijo. Azedo-suor. Azedo cor.
Toco
Cabeças e corpos e cabeças e cabeças e corpos e corpos e corpos cabeça. Para frente, para cima, para baixo. para cima, para baixo. Ligam-se em profusão de luzes. Cabeças e mentes e almas e luzes. Ligam-se. Anestesiados, não notam.
Flutuo
Olhos parados, sem compensar. Sobem e descem e sobem e descem e sobem e descem e sobem e descem e sobem e descem. Soslaiam. Há o azul. No ângulo fechado. Há-o-a-zul. Vislumbram respirar e congelam.
Caminho
Despeço-me do momento. Além de mim, só as flautas são azuis. Azuis-bebê. E estão cobertas de pó-luição da cidade sem luz.
Há espada. Hei de luzir-luminar. Há o limiar.
Azul.
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